APIC prepara tradutores para a Copa do Mundo

As tradutoras, Patricia Fischer (esq.) e Maria Clara Kneese

A Copa do Mundo de 2014 tem mobilizado vários segmentos da sociedade para, de um lado, atender melhor os milhares de turistas que virão ao Brasil e, também, se beneficiar das oportunidades geradas pelo evento. A Associação Profissional de Intérpretes de Conferência (APIC), criada há 40 anos para representar os tradutores simultâneos de línguas, inicia em 2013 cursos específicos sobre futebol para seus associados. O objetivo, claro, é capacitá-los para atender a demanda de trabalho decorrente da realização do mundial.

“Conheço futebol, mas não tanto a parte técnica. Um dos associados da APIC especialista em futebol vai ministrar um curso sobre a parte técnica do vocabulário utilizado”, diz Patrícia Fischer, há 20 anos intérprete de conferência em português, inglês, francês e espanhol, e membro da APIC.

“Eu vou fazer o curso e acredito que muitos dos nossos associados o farão. A tendência é aumentar cada vez mais a contratação de bons tradutores em assuntos relacionados à Copa do Mundo”, afirma Fischer.

A tradutora e presidente da APIC, Maria Clara Forbes Kneese, conta que fez um trabalho comparando a história econômica do país e os clientes atendidos por um tradutor simultâneo. “O currículo de um intérprete de conferência mostra a história econômica do país porque aqueles que solicitam nosso serviço fazem parte do setor econômico que está se desenvolvendo naquele momento”, diz Maria Clara.

“Certamente vai ter uma presença grande da Copa do Mundo no nosso currículo do ano que vem. É um evento de peso que vai trazer as luzes do mundo para o Brasil”, completa Kneese.

Segundo Maria Clara, os bons intérpretes estudam continuamente, devem ter um conhecimento pleno do idioma e fazer uma comunicação interlíngua perfeita. Mas lembra que a ética é fundamental. “Nós trabalhamos com assuntos extremamente confidenciais entre grandes empresas, governos, e organizações como a ONU. Somos muito assediados na saída de conferências, até mesmo por jornalistas”.